20 Março 2026
Portugal registou nas últimas décadas uma evolução significativa no tratamento de águas residuais urbanas, mas enfrenta agora novos desafios ligados à eficiência energética, reutilização da água e proteção ambiental. O alerta foi deixado pela investigadora Maria João Rosa, do LNEC, num debate sobre o setor da água.
O investimento que Portugal fez em infraestruturas resultou, em boa parte, da aplicação das diretivas europeias que obrigam os Estados-membros a recolher e tratar as águas residuais antes de as devolver ao meio ambiente, protegendo a saúde pública e os ecossistemas.
Segundo a investigadora, o tratamento das águas residuais deve hoje ser encarado de forma mais abrangente, numa lógica de economia circular e recuperação de recursos.
“A água é água, independentemente da sua origem. O que importa é a sua qualidade e a adequação ao uso que queremos fazer dela”, afirmou.
Maria João Rosa explica que as estações de tratamento evoluíram e deixaram de ser apenas infraestruturas para eliminar poluição. "Hoje são muito mais instalações de recuperação de recursos associados à água. Podem produzir energia, reutilizar água tratada e valorizar nutrientes como o fósforo”, referiu.
Apesar do progresso, o setor enfrenta desafios importantes. A nova legislação europeia exige níveis mais elevados de tratamento, maior eficiência energética e redução de emissões de gases com efeito de estufa.
Outro problema prende-se com o que chega às redes de saneamento, desde descargas industriais inadequadas até resíduos domésticos indevidamente descartados. A investigadora defende, por isso, que além da tecnologia e do investimento, a literacia ambiental e o comportamento dos cidadãos são essenciais para garantir a sustentabilidade do setor da água.
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