16 Outubro 2025
A terceira edição da LNEC Lisbon Conference, organizada pelo LNEC, reuniu especialistas, decisores políticos e representantes do setor da construção para debater os desafios e as soluções rumo a um ambiente construído mais sustentável. Durante dois dias de palestras e mesas-redondas, discutiram-se temas como a industrialização da construção, as cidades inteligentes e a economia circular.
Ao longo das várias sessões foram apresentados exemplos de boas práticas, soluções inovadoras e debatidas caminhos e estratégias para a modernização do setor. Foi enfatizada a importância de integrar a inovação tecnológica com a sustentabilidade ambiental e social.
Na sessão de abertura, a presidente do Conselho Diretivo do LNEC, Eng.ª Laura Caldeira, sublinhou que "a necessidade de aumentar a oferta habitacional com qualidade e a preços acessíveis é um desafio urgente, sobretudo nas regiões de maior pressão urbana". Sublinhou igualmente a necessidade de "reabilitar o extenso parque edificado existente, preservando o património construído e melhorando a segurança, o conforto e a funcionalidade". Defendeu ainda que a modernização do setor "implica uma profunda transformação baseada na industrialização, na utilização de materiais inovadores e na integração de processos digitais", acrescentando que "é essencial investir na formação, na investigação e na educação tecnológica".
O presidente da Comissão Organizadora, Eng. Álvaro Vale e Azevedo, reforçou o caráter colaborativo e prático do encontro: "Vivemos um momento crucial em que o setor da construção, da arquitetura e do urbanismo é chamado a repensar as suas práticas perante as urgências climáticas, sociais e económicas". O Eng. explicou que a conferência foi pensada para "partilhar experiências e abrir caminhos para parcerias estratégicas que transformem ideias em realidade".
A Secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, destacou a importância de alinhar inovação e política pública: "Vivemos tempos exigentes. A resposta à crise habitacional tem de ser estratégica, inovadora e com forte suporte tecnológico". A Arquiteta lembrou que estão em curso "os maiores investimentos de sempre em habitação pública, com cerca de 10 mil milhões de euros já canalizados", e anunciou a meta de "59 mil novas respostas habitacionais até 2030". Sublinhou ainda que a industrialização da construção é "não só uma oportunidade, mas uma necessidade urgente, permitindo reduzir impactes ambientais e garantir maior eficiência".
Na conferência foi, ainda, destacada a importância de preservar o património edificado, promover a neutralidade carbónica e repensar as cidades como espaços centrados nas pessoas, mais inclusivos, resilientes e sustentáveis.
No encerramento, o Arq. João Branco Pedro, Diretor do Departamento de Edifícios do LNEC, apresentou sete ideias-chave resultantes do evento. Entre estas, destacou-se a necessidade de acelerar a industrialização e a digitalização do setor, de modernizar o enquadramento regulatório e de encarar a sustentabilidade ambiental e a preservação do património como um único desafio.
A conferência encerrou com o compromisso de transformar as ideias debatidas em propostas concretas, nas palavras da Eng.ª Laura Caldeira: "Queremos que sirvam de base à definição de políticas públicas mais eficazes e à orientação da investigação científica e tecnológica que moldará o futuro do ambiente construído em Portugal".
Com um formato dinâmico e participativo, que incluiu mesas-redondas, mostras de boas práticas e espaços de conversas informais, além de conferências por especialistas, a Lisbon Conference 2025 afirmou-se como um ponto de encontro essencial para o futuro.
